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12.11.02

Longo tempo longe
de tudo, como um monge.
Longe de mim, sobretudo.
Longe, enfim, de tudo.

Quando? Breve... logo...
voltarei portando o fogo
de meu verso ou minha prosa.
(Mas que rima escandalosa
eu coloquei nessa estrofe!)

Nada demais, só fe-
chei-me em copas por um tempo.
Um longo-breve tempo.

publicado por Jules Rimet @ 09:39   0 comments
9.11.02
Oitava Face

Quando nasci, num ano torto,
mil novecentos e setenta,
chuteiras zumbiam nas gramas
com bolas disgramadas.
Quase que por um Tostão
eu não recebia esse nome.
Hoje sei que não passo
nem por gauche nessa vida.

O mundo já não é tão vasto
e podemos cruzá-lo com um simples chat.
Mas como ficou chato, o mundo!

Na tevê, um desfile de moda
desafia e desanca a imaginação:
pra quê tanta perna, meu deus?

Meus olhos estão cheios de perguntas
mas meu coração fica pianinho.

Não. Eu não me chamo raimundo
nem meu coração é vasto como o mundo.
Meu coração, pequenino bilboquê, brinca
comovido como o diabo.

Não há lua nem conhaque, e fazer
apologia ao álcool, hoje, é temerário.

Do jeito que as coisas andam,
qualquer dia o poema de sete faces
vai ser proibido nas escolas.

publicado por Jules Rimet @ 07:55   0 comments
5.11.02
Resultado desse tempo todo (04 dias!) sem internet: 43 spams.

publicado por Jules Rimet @ 19:41   0 comments
Já escrevo diretamente do novo apartamento.
Breve trarei novidades.
Abraços a todos.

publicado por Jules Rimet @ 19:30   0 comments
1.11.02
Engraçado...
Mais engraçado é a de baixo.




Recebi por e-mail.
publicado por Jules Rimet @ 21:38   0 comments
Amanhã me mudarei para um novo apartamento, por isso passarei algum tempo sem poder postar, graças à incompetência da telemar que, provavelmente, demorará para transferir a linha.
Até o próximo texto.


publicado por Jules Rimet @ 21:26   0 comments
31.10.02
Relembrando:

Drummond trocou Itabira
pela pedra da gávea
e de lá tripudiava
lançando poemas ao mar.

publicado por Jules Rimet @ 19:49   0 comments
30.10.02
É impressão minha ou lula (et alii) anda afagando roberto marinho?
Que foi feito da demonização da globo?
Fantástico, jornal nacional... amanhã globo repórter, depois... os normais?
Daqui a pouco mr. soros será indicado como presidente do banco central.
Sei não... sei não...
Pode me chamar de excessivamente cauteloso, ou de atirador de pedras. Convém lembrar: eu votei em lula quatro vezes, mas isso não o exime de (agora como vidraça) minhas pedradas.

publicado por Jules Rimet @ 18:11   0 comments
28.10.02
FINALMENTE!

Há 13 anos eu espero essa vitória, por isso, ontem eu saí às ruas, em carreata, gritando e chorando. Chorando de felicidade, de esperança. Até agora eu estou arrepiado.

Finalmente, o PT vai governar o país
.
publicado por Jules Rimet @ 07:19   0 comments
26.10.02
Considerando que amanhã passarei o dia inteiro trabalhando no interior, para a justiça eleitoral, deixo aqui apenas essa lembrancinha:



Clique e visite. Bom domingo a todos.

publicado por Jules Rimet @ 19:16   0 comments
Jhonata era o típico machista: acreditava que lugar de mulher era na cozinha e que "toda bicha tinha que morrer".
Ontem Jhonata se suicidou.

publicado por Jules Rimet @ 15:18   0 comments
24.10.02
Estou sem tempo para escrever aqui. Muito corre-corre nesses dias.

* * *

Que negócio é esse de que o Correio Braziliense foi censurado pela coligação de Joaquim Roriz?

* * *

Lula zeitgeist? Isso não é explicação para a sua aprovação nas urnas. Isso é, sim, um consolo para os que apoiaram outros candidatos.

* * *

Por falar em teorias, alguém já conhecia isso aqui? Peguei o link aqui.

* * *

Com o problema na água aqui em Campos dos Goitacazes, os comerciantes já aumentaram o preço do galão de água mineral. Segunda-feira, o galão de água custava R$ 2,50. Hoje já bate R$ 8,00.

* * *

Fiquem de olho longe desse rapaz. Ele finge muito bem que escreve.

publicado por Jules Rimet @ 20:23   0 comments
22.10.02
Campos dos Goitacazes, interior do estado do Rio, de onde blogo, é banhado pelo Rio Paraíba do Sul. O nível do rio está tão baixo que sua água já está imprópria para o consumo. Nem para tomar banha dá. Tem gosto e cheiro ruins.

Água mineral também já está faltando nos supermercados e distribuidores.

O prefeito ainda não decretou, mas estamos em estado de calamidade.

publicado por Jules Rimet @ 20:51   0 comments
Lembra que Serra já foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal)? É que ele usava aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) para viagens particulares e de férias.
Alguém sabe se ele pagou os gastos, conforme a condenação?

publicado por Jules Rimet @ 08:25   0 comments
20.10.02
Blog

publicado por Jules Rimet @ 08:46   0 comments
19.10.02
O RELOJOEIRO (da série Ali Alice e Outros Personagens)

Quando o tic bate
antes que bata o tac
surge apressado na tarde
o atrasado.

Passa voando, como o vento.
Passa voando, como o tempo.
E corre, atrasado, atrazildo,
Atrás do minuto perdido.

Lá vem
já vai
já foi
lá vai
como um trem... sempre atrás
sempre sempre atrasado
sempre sempre apressado
no passo cadenciado:
logo que o tic bate
antes que bata o tac.

publicado por Jules Rimet @ 16:22   0 comments
17.10.02
Em 1981, era prefeito no pequeno município de São Fidélis, RJ, Sebastião de Almeida e Silva (vugo Sossó).
O prefeito, querendo nomear as ruas de um bairro com nomes de músicos, pede ao seu irmão, chefe de gabinete, o poeta Pedro Emílio de Almeida e Silva, que redija o decreto.

Vejam como ficou o decreto:

"Decreto número 178, de 24 de junho de 1981.

O Prefeito Muncipal de São Fidélis, no uso de atribuições que o cargo lhe confere, e

(...)

considerando que "naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele tá doendo em mim"; que "as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti"; que "a estrela D'Alva no céu desponta e a lua anda tonta com tanto explendor"; que "Amélia não tinha a menor vaidade, Amélia que era a mulher de verdade"; que "a lua, furando nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão"; que "a normalista linda, não pode casar ainda, só depois que se formar"; que "o amor é uma agonia, vem de noite vai de dia", DECRETA:

Art. 1o. - O bairro ora conhecido como Loteamento "Barão de Macaúbas" (...) e as ruas abaixo identificadas passam a receber nomes, que serão:

a) Rua no. 04, entre as quadras B e C, passa a denominar-se Rua Vinícius de Moraes; b) Rua no. 05, (...) passa a denominar-se Rua Sérgio Bittencourt; (...) d) Rua no. 01 (...) passa a denominar-se Rua Cartola; e) Rua no. 07 (...) passa a denominar-se Rua Ataulfo Alves; f) Rua no. 08 (...) passa a denominar-se Rua Noel Rosa; g) Rua no. 02 (...) passa a denominar-se Rua Orestes Barbosa; h) Rua no. 09 (...) passa a denominar-se Rua David Nasser; todas situadas no Bairro acima mencionado.

Art. 2o. - Revogam-se as disposições em contrário.
"


Agora, me digam: isso não é coisa de gênio?
E eu tenho esse decreto aqui, entre meus mimos literários.

publicado por Jules Rimet @ 21:28   0 comments
O GATO (da série Ali Alice e Outros)

No ato
o gato
salta.
Num átimo
atina
outro
mortal,
sete
mortais.
Cai ótimo.
Eriça pêlos
E pousa.
Lorde
o gato
ajeita o casaco,
lisamente
lambe-alisa
a sobrepeliz
e passa
na maciota...
ou salta
no assento:
almofadado
enrolado
enrodilhado.
Em-si-mesmado
O gato.

Rolo de linha de lã...
Rolã de lonha de li...
Roli de lãnha de lo...
Rolo de linha de lã...

A calda já não há
pois, puf!, sumiu no ar.
Qual borracha, o vento
vai desfazendo as listras;
ou qual novelo, se desnovela
o gato no galho.

Ei-lo sumindo lento, ei-lo
risonho a ir-se
deixando atônita Alice.

publicado por Jules Rimet @ 09:30   0 comments
16.10.02
Marketing de Serra erra feio ao usar Regina Duarte para fingir medo de possível governo Lula

Abaixo segue uma pequena transcrição, cheia de falhas, das entrevistas de Artur Xexéo e Carlos Heitor Cony, que você pode ouvir na íntegra clicando no link que dá título a esse texto:

Xexéo - vi... e repetiu também durante o horário normal... eu fico com medo de falar disso e correr o risco de tá fazendo uma patrulha ideológica. Eu acho natural o artista se expor nesse momento, acho... alguns eu admiro muito... isso que a regina fez.... todo mundo sabe, gina é psdb desde criancinha, então ela chegar na televisão e dizer que vai votar no serra eu acho muito natural e até admiro, nesse momento em que a corrente é contrária...
(...)
O que me pareceu estranho nessa historia é que não foi isso que a regina fez, né. (...)A regina não usou a credibilidade dela pra convencer o expectador de quem era o melhor candidato. Ela usou a técnica de atriz, fingindo pro telespectador que tava com medo... - que ninguém acredita que a regina duarte tá com medo de um possivel governo lula -, pra convencer o expectador a ficar com medo também. Então acho que já passou um pouco da... da... do que se espera ou do que é natural que um artista faça numa campanha eleitoral. Acho que foi um desastre de marqueting utilizar a regina pra isso e acho ruim pra imagem dela, pra carreira dela, e acho que ela pisou na bola como outros artistas já fizeram anteriormente em outras campanhas.


Cony - antes de tudo vamos separar as duas coisas: ela declarar o voto em serra porque acha o serra bacana, melhor, é um direito legitimno dela e não só dela mas de milhões de pessoas que vão votar no serra...
(...)
Agora... o argumento principal que ela deu realmente foi desastroso, foi nefando. Ela não vai votar no serra pelo serra, ela vai votar no serra porque tem medo do lula, e argumenta coisas prováveis e improváveis do lula. Quem pode garantir que o lula vai realmente fazer um governo tão desastroso assim? Ela não gosta do lula, não confia nele... é um direito dela...
(...)
Aquela técnica da direita que dizia que os esquerdistas comiam crianças, violavam freiras... (...)ainda existe, e dá medo, sem dúvida nenhuma.
(...)
ela não tem, talvez, o direito de incutir medo no pressuposto de um candidato que ainda não fez nada, ainda não governou...
nada faz crer que o governo de lula será desastroso.
Se ela acha que vai ser desastroso ela não vota no lula, vota no serra. (...) mas com elementos positivos. Não incutindo medo.
(...)

publicado por Jules Rimet @ 20:40   0 comments

Por causa do sucesso de "Roque Santeiro", Regina Duarte foi convidada para estrelar a campanha política do então candidato à prefeitura de São Paulo, Fernando Henrique Cardoso. Detalhe: Regina, fazia os comerciais caracterizada como a Viúva Porcina.

Se regina duarte fez isso naquela época, hoje ela se caracteriza de quê? Provavelmente da amnésica andréa vargas.
Ontem, campanha para fhc. Hoje, serra. Pelo menos não podemos chamá-la de incoerente.



publicado por Jules Rimet @ 19:24   0 comments
Confissão.

1989:

Eu já ouvira falar no Partido dos Trabalhadores de minha cidade, mas não conhecia ninguém que participava dele.
Estávamos, eu e uns amigos oriundos do Movimento Estudantil, tentando organizar um movimento de mobilização popular. Nosso principais objetivos imediatos eram melhoria no atendimento à saúde para as pessoas de baixa renda, saneamento básico nos bairros periféricos e ecologia. Já na primeira reunião ficamos conhecendo cláudio, um funcionário da câmara de vereadores do rio de janeiro e que era do PT. Após a reunião ele nos informou que o PT, na cidade, estava desativado, que o antigo presidente havia sido expulso, e que queria reativá-lo. Fiquei de pensar. Pensei nos prós e nos contras. Lembrei da famosa foto de lula tomando champanhe. Lembrei de todos os estigmas colados ao partido na época. Mas fiz uma auto-crítica. Dei a mim o benefício da dúvida e, quando cláudio me chamou para a primeira reunião daquele que seria o partido dos trabalhadores de minha cidade, fui. Fui para ouvir e ver, e o que vi me encantou. Não havia nada daquilo que eu pensara até então. Tudo informal, pessoas comuns: arquitetos, estudantes, advogados, professores, médicos. Mas todos sem a prepotência característica de certas profissões e classes sociais. Mais importante, todos sem as características de classes sociais.
Estavam todos ali por uma causa e eu percebi que aquele antigo movimento de mobilização popular bem podia migrar para o pt.
Acabei me envolvendo com o partido. Envolvi-me mais porque o partido apresentava uma democracia até então desconhecida para mim. Nada de eleições. Nada de "o mais votado vence". O partido tinha como filosofia a discussão e o consenso. Não importava se a discussão durasse um dia ou uma semana, o importante era que se chegasse a um acordo unânime. E assim foi.
Não me filiei, mas entrei de corpo e alma na campanha para presidente da república. O pt, com apenas 09 anos de vida, não tinha dinheiro para nada e nós é que tínhamos que comprar grande parte do material de campanha. As pessoas não entendiam como podia existir um candidato que não "dava camisas". Argumentávamos. Algumas compravam, outras não. Mas foi uma campanha maravilhosa.
Como o partido dos trabalhadores de meu município ainda tinha poucos militantes, reunimo-nos com os diretórios dos município vizinhos e assim, a cada trabalho, todos iam para o mesmo município. Foi assim que fiquei conhecendo várias cidades, várias pessoas. Pessoas maravilhosas.
Lutamos, dia e noite, colocando nosso suor e nosso dinheiro.
Muitos acham que saímos perdendo naquela eleição de 1989. Nós, que lá trabalhamos, sabemos como fomos vitoriosos.


1994:

Eu já estava na faculdade, em outra cidade, e não pude me envolver muito com a campanha, apesar de ter tentado me aproximar do pt dessa cidade. Mas o trabalho em tempo integral e a faculdade à noite, mais as provas e estágios me impossibilitaram. Mesmo assim eu colocava minha estrela no peito e ia para a sala, para horror de grande parte de meus colegas de turma, todos estudantes de direito.

1998:

O ano em que me formei. O ano da reeleição de fhc. O ano em que eu tive uma esperança renovada.
Imaginava que não era possível que o povo, após quatro anos, não tivesse percebido a verdadeira intenção de fhc. Acreditei que dessa vez lula ia. Não foi.
No trabalho todos faziam chacota comigo: lula vai se aposentar... chega de lula... lula só tenta...
Eu imaginava comigo: um dia... um dia...

2002:

Chegou a hora? Eu me perguntava meio incrédulo. Foram tantas as pauladas, tantos os percalços. Ainda tinha convicção na proposta do pt, mas já não tinha tanta na vitória.
Somente no mês de maio resolvi encarar. Fui ao comitê da campanha e comprei dezenas de estrelinhas para distribuir. A minha, ostensivamente, no peito. Apanhei panfletos e adesivos por conta própria.
Um dia eu passava pelo calçadão e havia uma passeata do pt. Aderi, o choro embargado, relembrando 89.

Hoje eu sei que a vitória finalmente será nossa. Hoje eu sei que nunca houve uma vitória de tal porte. Uma vitória que precisou de tantas provações. A vitória dos que foram humilhados, ridicularizados, a vitória dos sofridos. Vejo que o povo brasileiro finalmente está pronto para essa vitória. É o final de uma longa e lenta via-crucis.
Já quase posso sentir o cheiro da brisa marinha. Já quase posso sentir a água molhando o rosto.

Faltam 11 dias para a eleição do segundo-turno. Mas falta muito.
Bem sei das armas que a situação lançará mão para desqualificar lula. São as mesmas de sempre: as armas da truculência, da intolerância, as armas de quem não tem argumentos, mas se apresenta como dono da verdade. As armas de quem não admite o contrário, o diferente, o discordante.
É a ditadura do capitalismo, que saramago tão bem definiu.

Sei que, como eu, muitos vão chorar.
publicado por Jules Rimet @ 15:00   0 comments
Para lavrar palavras,
páro.
Me faço surdo
balbucio mudo
gesticulo nada.
Para lavrar palavras
fico além de mim, além
de todo o derredor
e, acima de tudo,
fico além desse mundo.

Palavras são o meu soldo.

publicado por Jules Rimet @ 08:10   0 comments
15.10.02
publicado por Jules Rimet @ 17:27   0 comments
14.10.02

Nos meus dedos
eu trago o seu perfume.
O meu perfume
você leva em seus lábios.
Por isso cada dia é um calvário,
por isso cada encontro é insaciável.

publicado por Jules Rimet @ 16:21   0 comments
13.10.02
Nessun Dorma
Luciano Pavarotti

Nessun dorma! Nessun dorma!
Tu pure, o, Principessa,
nella tua fredda stanza,
guardi le stelle
che fremono d'amore
e di speranza.

Ma il mio mistero e chiuso in me,
il nome mio nessun sapra!
No, no, sulla tua bocca lo diro
quando la luce splendera!

Ed il mio bacio sciogliera il silenzio
che ti fa mia!

(Il nome suo nessun sapra!...
e noi dovrem, ahime, morir!)

Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vincero!
vincero, vincero!


publicado por Jules Rimet @ 20:54   0 comments
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